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Está página é dedicada,

especialmente, a uma fã de Buritama:

Oi, Théo! Tudo bem? Muito obrigada pelo CD, eu adorei, é muito lindo e minha música preferida é "Manga Verde".

Tenho algumas perguntas pra te fazer: Aquela música, n.º8, "Tapera", é sua? Do seu amigo Sydney Jr.? Quem fez?

Eu tô fazendo essas perguntas porque eu me lembro que quando eu estudava aqui no Álvaro Álvim nós cantavamos essa música sempre nas apresentações tipo Dia dos Professores, Dia das Mães... Era muito legal. Quem nos ensinou a cantá-la foi nosso professor de Matemática, meu vizinho, Seu Paulo Duarte. Conhece?

Ele sempre nos ensinou a cantar várias músicas, sempre fazia muitas músicas e todos os dias (nas aulas de matemática - hehehe!) cantávamos muito. Fiquei muito emocionada em ouvi-la novamente, parece que eu tô vendo meus amiguinhos e eu ali no palco, ainda bem pequenos e o Seu Paulo com violão...ficava sempre tão bonito. Todos os anos nós cantavamos "TAPERA".

Beijos, pra você e sua família linda. Fiquem com Deus.

Erika.

Eu respondi assim:

Olá Erika. Minha música preferida, de todas que já fiz, também é Manga Verde. Também tenho uma paixão pela música Piquitim (música que fiz para o meu filho mais velho - Henrique).

Quanto à música Tapera... também é minha. Foi gravada junto com meu irmão Sydney em 1992 (ainda em LP). Quando gravamos este LP estivemos em Buritama fazendo Show aí no clube. Nesta época o presidente do clube era o Adilson Gâmbera. Vendemos alguns LPs e presenteamos também. Paulo Duarte...não me lembro deste nome. Talvez seja amigo de meus pais (D. Maria da Glória e Sr. China).

Não sei porque mas lembrei-me dos irmãos Paulo e Sérgio que, como eu e meu irmão Sydney, fomos alunos de piano da professora Lourdinha Feroldi. Será que é o mesmo Paulo ??? (Não me lembro do sobrenome dele).

Esta música Tapera, tem um história bem bacana:

Eu tinha um amigo conhecido por Mineiro. Era uma pessoa muito boa, prestativo enfim... uma alma evoluída apesar da seu pouco grau de instrução. Ele era caseiro e motorista de uma família muito rica.

Ele era um bom amigo... as vezes, tinha por ele um sentimento de pai. Por muitas vezes, quando seus patrões viajavam, ele convidava alguns poucos amigos para um almoço na sua casa (mansão - diga-se de passagem). Ele gostava de cozinhar e servir e se rodear de amigos.

Um dia ele me contou sua história. Do tempo em que morava lá na roça em Minas, numa casa feita de Tapera. Falou-me dos tempos difíceis, de muita pobreza até que esta família o trouxe para morar em São Paulo ainda adolescente.

Foi um momento de muita tristeza... contou que sua Mãinha morrera colhendo café enquanto ele corria atrás de passarinhos...

Seu pai.... há muito tempo não o via... ainda estava morando lá na Tapera de pau-a-pique.

Enquanto ele me contava sua história, eu de violão em punho, já esboçava uma linha melódica. Ele se entristeceu muito e saiu pra ver como estava o almoço...

Minutos depois ele voltou e cantei pra ele a música TAPERA. Choramos juntos....como choro agora em relembrar esta passagem.

Isto se deu em 26 de julho de 1986. Posso dizer que a música TAPERA é minha e do MINEIRO (Ironildes Jesus de Souza).

O Mineiro morreu muito cedo... não tinha 40 anos. Morreu de doença de Chagas.

O Mineiro é muito importante na minha vida. Acredito que trouxe meu Piquitim.

Vou lhe contar outra história: Eu me casei com Claudia (Crau) em 1 de abril de 1989 (parece mentira, não?). O Mireiro foi um dos meus padrinhos de casamento. Ele me disse que era a primeira vez que ia vestir um terno.

Eu já estava casado há uns três anos quando o MINEIRO faleceu. Foi um choque... eu o tinha (um estranho sentimento) como um filho.

Não tínhamos filhos e faziamos tratamento para "engravidarmos". Foram cinco anos de tratamento e nada. Até que resolvemos adotar uma criança. Visitamos orfanatos, procuravamos por todos os lugares... Estávamos decididos pela adoção.

Um dia, saindo para o trabalho, entrei no carro e tive a impressão que o Mineiro estava alí no banco do passageiro me dizendo que o meu filho já tinha nascido e estava chegando.

Fui trabalhar com aquela sensação de ter visto e conversado com o Mineiro. À noite, no jantar, contei para minha esposa Claudia (Crau) aquela experiência.

Ela me disse que eu devia estar impressionado devido ao sonho que ela teve. Eu estranhei pois ela não tinha me contado sonho algum. Então ela me contou o seu sonho.

Crau sonhou que o Mineiro entrava numa loja que nós tinhamos (Cravo e Canela prod. nat. e diet) com uma criança no colo dizendo que alí estava o nosso filho.

Talvez fosse o mês de abril de 94 quando isto aconteceu. Só sei que quase um ano depois, em 23 de abril de 1995 o Henrique chegou (com um ano e três meses) para preencher um vazio que faltava em nosso lar.

É isto aí...As vezes acho que as histórias que cercam as músicas são mais interessantes que as próprias músicas.

Grande beijo.

Théo do Valle

 

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